O outro par de olhos verdes da MPB
Ele não é só mais um cantor com um par de olhos verdes na música brasileira, o carioca Diogo Nogueira herdou do pai, João Nogueira, uma voz de incontestável brilho. Como se não bastasse a habilidade para interpretar velhos sambas, com frescor novo, Diogo consegue ainda criar sambas-enredos e pode ser considerado um arqueólogo musical. Um dos seus principais hobbys é passar horas pesquisando novas composições. Parte delas vão fazer parte da lista de canções que ele prepara para o show do dia 28 de maio, na Excalibur, em Campinas. É primeira vez que o sambista se apresenta na cidade. “Estou muito feliz em fazer esse show em Campinas. Espero todo mundo por lá”, disse o cantor. O sambista vive um momento peculiar na curta carreira, que tem pouco mais de três anos, depois do lançamento do CD/DVD “Sou Eu”. Um dos sucesso desse novo trabalho é o clássico dos compositores Ary Vidal e Janet de Almeida, chamado “Pra que Discutir Com a Madame?”, eternizado na voz bossanovista João Gilberto. Apesar de ser amplamente conhecido, Diogo jura que só tomou conhecimento da versão do baiano depois de ter gravado a música para a novela “Insensato Coração”, da rede Globo. “É até engraçado, mas só ouvi a versão do João Gilberto após ter gravado a música para a novela. Recentemente, o Caetano Veloso citou isso na coluna que ele escreve para um jornal do Rio de Janeiro”, disse o intérprete. Caetano escreveu que era gosto ouvir alguém cantar bem esse samba sem explicar nenhuma consciência de gravação de João Gilberto.
Apesar do desconhecimento, que talvez tenha proporcionado a originalidade da sua interpretação, o cantor permanece horas em casa garimpando composições. “Faço isso independente de serem canções de compositores consagrados ou da nova geração. Tem muita gente legal na nova geração, entre eles craques da composição como Ciraninho, Leandro Fregonesi, Rafael dos Santos, Ignácio Rios, a galera do Quarteto em Branco e Preto, dentre tantos outros”, frisou. Diogo também não é um escravo do samba. No seu ipod frequetam sons de outras vertentes como da Pitty, Marcelo D2, Barão Vermelho, Maria Rita e Chico Buarque. Apesar de estar construindo rapidamente seu nome no samba contemporâneo, diz ter como referências sambistas do porte de Paulinho da Viola, Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Dona Ivone Lara, Monarco Zeca Pagodinho, dentre muitos outros. Questionado se já pensou algum dia em gravar um outro gênero, o carioca é taxativo. “O meu negócio é o samba mesmo”, frisou. Do legado musical que seu pai deixou, Diogo mostra muita reverência. “‘Espelho’ é uma linda canção feita para o meu avô, composta pelo João Nogueira, em parceria com Paulo César Pinheiro. Além dessa, existe outra composição da dupla que me emociona, é a música “Além do espelho”. Quando a canto, sempre me lembro do meu pai”, frisou.
::Info:::
Diogo Nogueira Quando, dia 28 de maio, na Excalibur Eventos. Preço varia de R$ 25 a R$ 140.