A cor do som se chama Tulipa!
Marcelo Jeneci, Karina Buhr, Tiê, Bruno Morais. A safra de cantores e compositores brasileiros sofreu um boom ano passado. A maioria oriunda da cena indie da noite paulistana. “É uma galera muito boa. Adoro a Karina, é uma das minhas artistas prediletas. Já fiz muito trabalho com a Tiê e toco até hoje nos projetos paralelos do Tatá Aeroplano, do Cérebro Eletrônico”, conta, entusiasmada, a cantora Tulipa Ruiz, que se apresenta dia 19, no espaço Mog, em Campinas.
Tulipa faz parte dessas revelações que vêm conquistando um público diversificado pelas experimentações sonoras, letras poéticas e imagéticas embutidas em todas as canções do seu primeiro álbum batizado de “Efêmera” em maio do ano passado.
Embora tenha aumentado o número de fãs e pedidos de show em várias cidades, o curioso é que nem ela entende o motivo pelo qual as pessoas gostam do seu som. “Eu nem sei direito. É uma pergunta difícil. Acho que é pela sonoridade do disco. Não sei responder”, contou.
Apesar de ignorar essa química, Tulipa comenta que não passa um dia sem ir no correio para enviar seu CD e diz adorar esse rotina. “Eu não tenho distribuidora e todo dia recebo pelo meu e-mail um pedido do meu CD. Já mandei encomenda para pessoas de todo os lugares. Outro dia mandei para Rio Branco, mandei para Sergipe, para Belo Horizonte. Isso tudo é muito louco e divertido”, conta.
Ser produtora, distribuidora, cantora, compositora foi encarado por ela como uma espécie de faculdade. “A música para mim era um hobby, uma diversão. Eu participava com o Tatá (Aeroplano) em alguns projetos, mas era por prazer. Depois resolvi abandonar o jornalismo e viver da música, ai percebi que a brincadeira ficou muito série e chata”, disse.
Tulipa pediu conselhos para músicos mais experiência e passou a encarar esse processos como uma nova universidade. “Aos poucos fui entendo a engrenagem toda, amadureci e faço shows, pago meu aluguel, componho e vendo meus CDs”, expica.
Criar é uma rotina para a cantora, que também alimenta desde criança um talento para o desenho. A maioria das suas canções ganharam animações e são projetados durante a apresentação. “A Ordem das Árvores”, que conta com versos como “As ordem dos galhos/Não alteram os passarinhos”, mostram um pouco do colorido musical da artista.
“Sempre fui ligada em capa de discos e carrego comigo essa piração de pensar em imagem para a música. Quando eu ouvi pela primeira vez o nome da banda ‘A Cor do Som’, aquilo era a frase mais maravilhosa para mim”, comentou