Cerebrais, apocalípticos e tropicalista!

O som irreverente, poético e neotropicalista do Cérebro Eletrônico abraçou na noite de sábado (5/2) o espaço Mog, em Campinas, com o repertório repleto de referência à cultura pop. O vocalista Tatá Aeroplano fez um show quente, com todas as novas canções do álbum “Deus e o Diabo no Liquidificador”, que não se diferem conceitualmente do bem sucedido “Pareço Moderno”.

“Embora (o novo disco) seja bem mais roqueiro, mantivemos a mesma essência, a mesma ferve do disco anterior. Na realidade a gente considera esse terceiro disco uma extensão do segundo. Só conseguimos isso porque mantivemos a mesma equipe”, comentou o músico, que hoje é uma referência da música indie paulistana. Manter essa essência significa sublinhar a identidade do Cérebro Eletrônico forjada dentro das matizes sonoras do movimento tropicalista. “Sempre estivemos ligados nos Mutantes e nos arranjos que o maestro (Rogério) Duprat para os discos do Gil e do Caetano”, frisou. O próprio nome da banda advém da canção homônima do tropicalista Gilberto Gil composta 1969, no auge do tropicalismo.

Mas ao contrário da geração tropicalista, Tatá, Fernando Maranho (guitarra e voz), Gustavo Souza (bateria e vocais), Fernando TRZ (teclado e vocais) e Renato Cortez (baixo e vocais) procuram se envolver em outros projetos. “Todos tocam em outras bandas e têm projetos paralelos. Essa infidelidade é saudável porque ajuda a gente a enriquecer em sonoridades, ajuda na criatividade e não nos sufoca”, reflete.

Uma outra faceta da geração da bandas indies que pipocam na Internet e ganham vazão no circuito independente é verticalização da produção. Assim como acontece com o Cérebro, que está em seu terceiro disco, os músicos são responsáveis para composição, gravação, distribuição, numeração, enfim, de toda cadeia produtiva que envolve a banda. “Somos artistas e produtores ao mesmo tempo. Acho que isso não tem um nome ainda, mas funcionou com a gente e tem funcionado com outros grupos também”, afirmou.

O terceiro álbum do grupo nasceu de uma letra no qual Tatá colocava Deus e diabo dentro do liquidificador. “Era uma composição antiga. A partir daí o pessoal começou a criar algumas coisas brincando nesse sentido. O disco acabou se tornando temático”, comentou o vocalista. “Deus e o Diabo no Liquidificador” é uma óbvia referência ao filme do diretor Glauber Rocha “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. As referências à cultura pop estão presente em todas composições do grupo, que citam desde o cineasta Lars Von Trier a marca Black&Decker

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