Emicida dá vida ao rap nacional

Se engana quem acredita que o título do futuro primeiro álbum do rapper paulistano Emicida, é uma metáfora. “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até que eu Cheguei Longe” é uma frase autobiografica que expressa um momento de desespero.

“Eu tava na miséria e de repente vi meu cachorro comendo o único pedaço de pão seco que tinha em casa. Nem sei o que aconteceu, só lembro que eu mordi ele. Depois que eu me dei conta do que eu fiz pela comida”, conta Emicida.

Hoje, Emicida é um dos rappers de maior projeção nacional e acredita que seu público não está estacionado apenas na esfera do fãs do Hip Hop. “É uma burrice acreditar que eu só faço músicas para os pretos, o meu som é híbrido, eu faço música para todo o mundo ouvir”, ressalta.

Com melodias sofisticadas e letras que caminham por uma poética incomum no rap, Emicida oxigenou o gênero que até então seguia o modelo copiado do grupo Racionais, com uma ou outra variação. Emicida, ao contrário da maioria, não retalia o seu tom lírico como mostra na letra da canção “A Cada Vento”, na qual ele canta “Hoje de manhã/ atravesando o mar/ vou me perder/ vou me encontrar/ a cada vento que sobrar”.

Emicida, que nasceu Leandro Roque de Oliveira, mantém uma postura diferenciada até mesmo na sua relação com a mídia. “Eu gosto de usar todos os canais da mídia para falar com quem não concorda comigo. Na época do boom dos Racionais eles não tinha uma postura mais arredia, e não encontrei nenhum argumento plausível para agir dessa maneira

”, argumentou.

Emicida flerta com vários modelos de produção cultural e se fascinou com o jornalismo após sua participação no programa Manos e Minas, da TV Cultura. “O jornalismo tem um poder muito grande. A imprensa tem a possibilidade de educar o povo. Acho que tanto no jornalismo como na música eu procuro mandar essa mensagem”, contou.

DOMÍNIO DA ARTE

Improvisador de mão cheia, Leandro abandonou o nome de batistmo e adotou o apelido após criar fama de imbatível nas competições de rima em São Paulo. Os adversários diziam que ele era um assassino das rimas Posteriormente ele criou a insígnia

E.M.I.C.I.D.A., que significa Enquanto Minha Imaginação Compor Insanidade Domino a Arte.

Quem quiser conhecer ouvir a nova cara do rap nacional basta acessar o endereço www.myspace.com/emicidabasta . Todo material produzido pelo rapper ainda será lançado num CD que deve pintar ainda nesse primeiro semestre.

Uma resposta para “Emicida dá vida ao rap nacional”

  1. Buenas Paulo!
    Uau, adorei o que li. Histórias como essa deve acontecer em várias partes do mundo, a pobreza engole a gente.
    Aqui em Lisboa estou a pequisar os graffitis de não tem como deixar de entrar no hip hop. Vira e mexe, acabo por comparar com o que conheço no Brasil e no fundo vejo que a fúria diante a desigualdade social é que manda.

    Muito bom seu trabalho por aqui… já conhecia no jornal…rs

    Beijos e saudades de tomar aquela cachaça contigo!

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