Quem apertou o gatilho contra Neda, aquela estudante iraniana que protestava por um país livre quando foi alvejada por tiros de metralhadora, acionou o fim de uma época de horror no Irã (?!).
Dia 27 completou três meses do assassinato brutal dela. Aposto que você não lembra disso, mas se comoveu com as imagens da tevê e em seguida foi dormir para acordar bem cedo para trabalhar no dia seguinte. Era só mais uma tragédia. A vida seguiu e segue até agora. Assim como tem de ser.
Mas não custa lembrar que o assassinato brutal de Neda se transformou num argumento vivo para vida futura de toda uma geração de jovens iranianos.
E o que isso muda na tua vida? Nada, mas é determinante para o que está por vir. Tu que queres um mundo melhor para teus filhos, não quererias, certamente, que um pusta como Ahmadinejad estivesse por ai dando às cartas do outro lado do planeta. Correto?
Assim como não se quer e não é seguro permitir tipos como Gilmar Mendes, a pastora Sônia, os Marinhos, Garotinho, Zé Dirceu, HUgo Chaves e outros transitar sem coleiras pelas ruas.
O fato é que no dia seguinte da morte de Neda, a mão assassina erguia a xícara com seu chá e mastigava torradas tranquilamente enquanto via de modo impassível seu império sangrar silenciosamente.
Isso eu pensei e escrevi no último dia 27 de junho. Mas não foi bem por ai que a linha da história foi delineada.
A questão que fica é se Neda morta alterou os rumos do estado das coisas. E Neda viva?
É preciso lembrar que ela não deu a vida para mutilar o severo regime dos aiatolás. Ela não teve escolha. Neda foi aniquilada. Ela não era um guerreira de Deus e sim da razão.
Por isso, ela merece viver na memória, não como mártir, mas como uma reafirmação do valor inestimável da liberdade e do direito à vida. Não como uma marca de jeans ou estampa de camisa. Neda precisa se respeitar e não mistificada.