Clichê em xeque!

Postado em Uncategorized em junho 4, 2011 por paulocorrea

“Eu es­tou com uma gran­de ex­pec­ta­ti­va de vol­tar a Cam­pi­nas. Fiz uma tem­po­ra­da óti­ma com o meu pai em 2009. Cam­pi­nas mora no meu co­ra­ção, de ver­da­de. Não é ne­nhum cli­chê, não”, dis­se em tom de en­tu­si­as­mo o co­me­di­an­te Lú­cio Mau­ro Fi­lho,  so­bre a ex­pec­ta­ti­va de es­treia do novo es­pe­tá­cu­lo no pal­co do Te­a­tro Amil em junho.

O mo­nó­lo­go “Cli­chê” vai se­guir em tem­po­ra­da no te­a­tro até o dia 26, sem­pre as sex­tas, sá­ba­dos e do­min­gos. Com tex­to do Mar­ce­lo Pe­drei­ra e com di­re­ção de Ru­bens Ca­me­lo, a co­mé­dia é uma re­fle­xão crí­ti­ca so­bre o uso ex­ces­si­vo de fra­ses pron­tas, si­tu­a­ções re­cor­ren­tes e lu­ga­res co­muns.

FRA­SES FEI­TAS

Com uma dra­ma­tur­gia afi­a­da e se es­qui­van­do da mes­mi­ce do stand up co­medy, Lú­cio se de­bru­çou num tra­ba­lho in­ten­so para cons­truir a nar­ra­ti­va des­se solo, que re­ú­ne mais de 600 cli­chês, bor­dões, fra­ses fei­tas e “opi­niões in­te­li­gen­tes” so­bre dis­cus­sões va­zi­as.

“Logo quan­do li o tex­to do Pe­drei­ra que che­gou no meu e-mail, co­me­cei a dar mui­ta ri­sa­da. Eu me re­co­nhe­ci mui­to ali, usa­va vá­ri­os cli­chês que es­ta­vam es­cri­tos”, co­men­tou.

O co­me­di­an­te que es­ta­va há dois anos ten­tan­do cap­tar re­cur­sos por meio da Lei Rou­a­net para es­treiar uma peça que con­ta­va a his­tó­ria de um guru do sexo, de­ci­diu que iria mon­tar o es­pe­tá­cu­lo.

“Uma das pri­mei­ras ci­da­des que pen­sei em le­var o mo­nó­lo­go foi Cam­pi­nas. Tive uma es­treia mui­to boa no Rio de Ja­nei­ro em mar­ço, a peça vi­rou uma fe­bre. Mas de­pois logo pen­sei em ir para Cam­pi­nas que tem um pú­bli­co mui­to bom e tam­bém para re­ver ami­gos que fiz aí”, co­men­tou.

ES­TREIA

O ator que dá vida ao per­so­na­gem Tuco, no se­ri­a­do A Gran­de Fa­mí­lia, exi­bi­do pela Rede Glo­bo, fez uma tem­po­ra­da em mar­ço na ci­da­de com o es­pe­tá­cu­lo “Lú­cio 80-30”, fei­ta em par­ce­ria com o seu pai, Lú­cio Mau­ro. Mas em “Cli­chê”, Lú­cio se­gu­ra a onda so­zi­nho em cima do pal­co com um tex­to que pa­re­ce im­pro­vi­so, em vir­tu­de da ori­gi­na­li­da­de da in­ter­pre­ta­ção do ator.

Lúcio Mauro Filho estreia monólogo em palco campineiro na sexta-feira

 

É sua es­treia fren­te a um mo­nó­lo­go. Mes­mo ten­do se apre­sen­ta­do so­zi­nho em stand ups e con­ven­ções, o ator ex­pli­ca que le­var o es­pe­tá­cu­lo e man­ter seu rit­mo por uma hora é uma ex­pe­ri­ên­cia mui­to di­fe­ren­te. “Quan­do é mais li­vre, como num tex­to de stand up, tudo bem se acon­te­cer al­gum im­pro­vi­so, na hora que a gen­te erra o tex­to por exem­plo. Mas no te­a­tro mes­mo – com luz, mar­ca e tudo mais – é a pri­mei­ra vez que faço so­zi­nho. E aí, na hora, não tem o co­le­gui­nha pra di­vi­dir a bar­ra con­ti­go. Só você e o pú­bli­co. Por isso pe­ga­mos tão pe­sa­do com os en­sai­os”, afir­ma.

Um dos as­pec­tos que tor­na “Cli­chê” ori­gi­nal é sua crí­ti­ca ao com­por­ta­men­to da so­ci­e­da­de em ce­le­brar aqui­lo que é novo. “O tex­to é cheio de fra­ses fei­tas no fu­te­bol, no sam­ba e no mun­do cor­po­ra­ti­vo. Além de dar ri­sa­da, o pú­bli­co sai de lá meio que se po­li­ci­an­do”, co­men­tou.

O outro par de olhos verdes da MPB

Postado em Uncategorized em maio 15, 2011 por paulocorrea

Ele não é só mais um cantor com um par de olhos verdes na música brasileira, o carioca Diogo Nogueira herdou do pai, João Nogueira, uma voz de incontestável brilho. Como se não bastasse a habilidade para interpretar velhos sambas, com frescor novo, Diogo consegue ainda criar sambas-enredos e pode ser considerado um arqueólogo musical. Um dos seus principais hobbys é passar horas pesquisando novas composições. Parte delas vão fazer parte da lista de canções que ele prepara para o show do dia 28 de maio, na Excalibur, em Campinas. É primeira vez que o sambista se apresenta na cidade. “Estou muito feliz em fazer esse show em Campinas. Espero todo mundo por lá”, disse o cantor. O sambista vive um momento peculiar na curta carreira, que tem pouco mais de três anos, depois do lançamento do CD/DVD “Sou Eu”. Um dos sucesso desse novo trabalho é o clássico dos compositores Ary Vidal e Janet de Almeida, chamado “Pra que Discutir Com a Madame?”, eternizado na voz bossanovista João Gilberto. Apesar de ser amplamente conhecido, Diogo jura que só tomou conhecimento da versão do baiano depois de ter gravado a música para a novela “Insensato Coração”, da rede Globo. “É até engraçado, mas só ouvi a versão do João Gilberto após ter gravado a música para a novela. Recentemente, o Caetano Veloso citou isso na coluna que ele escreve para um jornal do Rio de Janeiro”, disse o intérprete. Caetano escreveu que era gosto ouvir alguém cantar bem esse samba sem explicar nenhuma consciência de gravação de João Gilberto. Apesar do desconhecimento, que talvez tenha proporcionado a originalidade da sua interpretação, o cantor permanece horas em casa garimpando composições. “Faço isso independente de serem canções de compositores consagrados ou da nova geração. Tem muita gente legal na nova geração, entre eles craques da composição como Ciraninho, Leandro Fregonesi, Rafael dos Santos, Ignácio Rios, a galera do Quarteto em Branco e Preto, dentre tantos outros”, frisou. Diogo também não é um escravo do samba. No seu ipod frequetam sons de outras vertentes como da Pitty, Marcelo D2, Barão Vermelho, Maria Rita e Chico Buarque. Apesar de estar construindo rapidamente seu nome no samba contemporâneo, diz ter como referências sambistas do porte de Paulinho da Viola, Almir Guineto, Jorge Aragão, Arlindo Cruz, Dona Ivone Lara, Monarco Zeca Pagodinho, dentre muitos outros. Questionado se já pensou algum dia em gravar um outro gênero, o carioca é taxativo. “O meu negócio é o samba mesmo”, frisou. Do legado musical que seu pai deixou, Diogo mostra muita reverência. “‘Espelho’ é uma linda canção feita para o meu avô, composta pelo João Nogueira, em parceria com Paulo César Pinheiro. Além dessa, existe outra composição da dupla que me emociona, é a música “Além do espelho”. Quando a canto, sempre me lembro do meu pai”, frisou.

::Info:::

Diogo Nogueira Quando, dia 28 de maio, na Excalibur Eventos. Preço varia de R$ 25 a R$ 140.

A intérprete do Lobo

Postado em Uncategorized em março 11, 2011 por paulocorrea

Edu Lobo nunca foi tão prestigiado quanto alguns de seus parceiros – como Vinícius de Moraes, Sérgio Mendes e Chico Buarque, apenas para citar alguns nomes -, embora tenha o mesmo refinamento musical, seja endeusado por muitos compositores e tenha uma obra tão monumental quanto que razoavelmente desconhecida pelo grande público.
O carioca sempre foi mais reservado, mais refinado e erudito – acabou de voltar de uma jornada acadêmica nos EUA. A somatória desses traços, aliado à musicalidade sofisticada de Edu, foi o que impulsionou a intérprete Vania Bastos a fazer um tributo ao autor de “Canções da Terra”, “Reza Aleluia” e outras de maior popularidade, como “Chegança” e “Upa Neguinho”.
Apaixonada pelo som intimista do compositor, a intérprete vem percorrendo o circuito cultural com o seu tributo chamado divertidademente de “Na Boca do Lobo – A música de Edu Lobo”, que funciona como uma espécie de porta de entrada para universo musical do cantor e compositor. O show na realidade é um simulacro do disco que a cantora vem divulgando desde o ano passado.

É o 11º trabalho da cantora que se apresenta no Sesc, em Campinas, neste domingo, a partir das 16h30. A apresentação é gratuita e o repertório de Vania conta com canções como “Casa Forte”, “No cordão da Saideira”, “Gingado Dobrado”, “Glória”, “Viola Fora de Moda”, “O Circo Místico”, “Negro, Negro” e “Tempo Presente”.
DESCOBERTA
Os músicos Ronaldo Rayol (violão, arranjos) e André Bordinhon (guitarra) integram o projeto do tributo musical idealizado por Vania, que surgiu no cenário musical revelada por Arrigo Barnabé, conhecido por integrar o grupo dos malditos da música brasileira.
Vania emprestou sua força interpretativa para nada mais nada menos que álbuns seminais como “Clara Crocoldilo” (1980) e “Tubarões Voadores” (1984).
O homenageado, Edu Lobo, também acaba de lançar um novo trabalho depois de anos sem gravar canções inéditas. “Tantas Mares” (Biscoito Fino – R$ 24,90) traz parcerias com Paulo César Pinheiro, recriações de parcerias com Chico Buarque e participação de Mônica Salmaso

PR pode expulsar Piuí

Postado em Uncategorized em fevereiro 15, 2011 por paulocorrea

O PR de Limeira prepara uma ofensiva contra o vereador Piuí que pode culminar tanto numa  penalidade simples como também na expulsão do parlamentar da sigla. O motivo da fritura – que atingiu seu ponto máximo de fervura na eleição da mesa diretora para o biênio 2011/2012 do Legislativo limeirense – seria a desobediência declarada do vereador contra questões fechadas do partido.
Membros da executiva municipal já redigiram um processo disciplinar que tem o poder de propor essa punição contra o atual segundo secretário da Câmara de Limeira. Contudo, o documento ainda não foi protocolado no conselho de ética do PR limeirense. Pelo estatuto do partido, é o órgão quem decide se instaura ou não o processo investigativo.
Uma vez que o rito seja aberto, um relator é nomeado e Piuí seria notificado oficialmente do processo disciplinar. O vereador teria um prazo para apresentar defesa que pode girar em torno de 15 a 30 dias.
Mas o principal entrave para o processo disciplinar seguir adiante é o presidente do PR limeirense, Rene Aparecido Franco Soares Filho, atual presidente do SAAE (Sistema Autônomo de Água e Esgoto). Tanto ele como Piuí são os maiores signatários do prefeito Silvio Félix (PDT) dentro da sigla. Esse é apenas um dos motivos pelo qual o partido está rachado.

Apesar do embate, o inquérito interno está maduro. Uma comitiva do partido já buscou amparo legal para trâmite da ação no departamento jurídico do PR estadual.

Efeito Mabel

Essa ofensiva contra Piuí, ocorre na esteira do processo disciplinar que também quer espinafrar o deputado Sandro Mabel do partido, informação divulgada no último dia 10 no site da agremiação. Mabel não apoiou a candidatura de Marco Maia (PT) para câmara de deputado e se lançou candidato. Causou a ira dos cacíques e agora está sendo perseguido.
Pesa contra Piuí ter contrariado várias decisões do PR, leia-se Mário Botion e Miguel Lombardi, durante votações estratégicas. Sublinhe-se que existem fortes dúvidas se a expulsão do parlamentar limeirense garantiria por sí só a cadeira do vereador eleito. O imblógrio teria que ser resolvido na justiça.

Marloch, o desconstruidor de mitos

Postado em Uncategorized em fevereiro 12, 2011 por paulocorrea

Poucas pessoas teriam a tranquilidade de chamar um astro da literatura nacional como Euclides da Cunha de paranóico e potencial assassino. Com excessão do jornalista e escritor Leandro Marloch, autor do polêmico “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”.

Mas entenda que o alvo do jornalista não é desmerecer o romancista carioca. Na realidade, a personalidade sombria de Euclides da Cunha é só um dos exemplos da coletânea de dados históricos revirados por Marloch no baú da história e que foram omitidos ao longo dos anos por conveniência.

O objetivo do jornalista não é atacar uma ou outra figura histórica, a ideia geral, segundo ele, é provocar uma pane na filosofia do politicamente correto instaurado no País, que blinda personagens e fatos em nome de um “bom-mocismo” comportalmental.

Novos escorregões éticos dos heróis nacionais e excessos no julgamento de criminosos da nossa história são trazidos à tona nas 368 páginas da versão ampliada do polêmico livro “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, lançado este mês pela editora LeYa. Nele, o jornalista procura romper com dogmas e realçar o lado obscuro de figuras aclamadas e revelar que mocinhos também agem como vilões e vice-versa.

Sobre o autor de “Os Sertões”, o jornalista conta que ele é um dos principais suspeitos da morte do filho recém-nascido da sua esposa, Anna Assis, com o seu conhecido amante Dilermando Assis. “Quando ele voltou de uma expedição do Acre depois de três anos, tentando reeditar um novo ‘Sertões’, ele encontrou sua mulher grávida. Não disse nada. Quando Ana teve a criança, ele a retirou dos braços dela e escondeu. Não se sabe o que aconteceu, o fato é que três dias depois o bebê morreu”, conta Marloch. O jornalista lembra que o caso sequer foi investigado em virtude do prestígio do romancista e já homem público.

Esse é o fio condutor do novo trabalho do jornalista, que vendeu mais de 100 mil cópias. “Na primeira versão do livro, detonei muitos personagens que as pessoas falam bem. Nesse nova versão, tentei falar bem de pessoas execradas pela história”, comentou o jornalista. No livro que chega às bancas com o preço sugerido de R$ 39,90, estão na alça de mira do escritor simbolos blindadas pelo caráter humanístico, como Zumbi dos Palmares e figuras altamente controversas, como o bandeirante Raposo Tavares.

“O problema é que as pessoas gostam de querer apontar culpados ou inocentes, mas o Zumbi, segundo relato de capitães holandeses, provavelmente tinha escravos. Alguns homens de confiança dele e parentes eram saudados de joelhos pela população do quilombo”, comenta. O autor aponta que os grupos liderados por Zumbi saquevam vilas e sequestravam mulheres e tomavam negros como escravos. “Eles apenas reproduziam um modelo de sociedade na qual eles viviam no Congo e na Angola. O Zumbi não fez nada de errado dentro do contexto histórico da sua época, assim como os senhores de escravos também não”, opinou.

BONS MOÇOS

Apesar da contradição relatada Marloch, o movimento negro e historiadores conseguiram alçar Zumbi ao status líder do abolicionismo. Ao mesmo tempo, o ideário bandeirante ruiu com o passar dos anos em virtude das atrocidades cometidas pelos desbravadores contra à população indígena e também contra os escravos.

Para o autor, não é bem assim. “Existem cartas internas trocadas entre os jesuítas mostrando que havia um certo exageros nos relatos de extermínio, os bandeirantes não era tão crueis assim. Na realidade, os jesuítas confabulavam para que as autoridades europeias se lançassem contra os paulistas”, pontuou. O próprio Raposo Tavares foi um grande desbravador que teria perambulado por três anos, passando pelo atual Mato Grosso, chegando na Bolívia, prosseguindo até os Andes, parando no Pará e voltando para São Paulo. “Ele contribui para interiorização do Brasil, desbravando o interior”, sublinhou. A América Latina e personagens conhecidos na história mundial são os próximos alvos dos jornalista.

<b>Desnudando a América Latina </b>

Com previsão de ser lançado em agosto, o livro “Guia Politicamente Incorreto da História da América Latina” é próximo projeto do jornalista. O material está sendo elaborado há mais ou menos um ano, em parceria com o jornalista campineiro Eduardo Teixeira. “Ele escreve para a revista Veja sobre os países latinos-americanos. Ele conhece tudo e viajou para todos os países. Um dia a gente comentou sobre os discursos de vítima do Evo Morales. Achamos que não é por aí. O povo indígena já protagonizou muitas coisas. Aí pintou a ideia de fazer esse livro”, explicou.

A dupla pretende mostrar que os povos astecas, andinos e populações indígenas não viviam no Éden como é imaginado hoje. Segundo o jornalista, havia muita miséria e conflitos que levaram à derrocada das sociedades. “O meu trabalho não é neutro, não é acadêmico, às vezes sinto falta da crítica dos historiadores”, disse. O autor ressalta que o resultado do seu trabalho é uma contraposição de estudiosos, como Caio Prado Júnior e Florestan Fernandes. “Eles criaram esse imaginário que o Brasil é uma sucessão de desgraças. A nova história brasileira contada a partir da década de 90 por outros historiadores parte de um outro ponto de vista”, pontuou.

A cor do som se chama Tulipa!

Postado em Uncategorized em fevereiro 9, 2011 por paulocorrea

Marcelo Jeneci, Karina Buhr, Tiê, Bruno Morais. A safra de cantores e compositores brasileiros sofreu um boom ano passado. A maioria oriunda da cena indie da noite paulistana. “É uma galera muito boa. Adoro a Karina, é uma das minhas artistas prediletas. Já fiz muito trabalho com a Tiê e toco até hoje nos projetos paralelos do Tatá Aeroplano, do Cérebro Eletrônico”, conta, entusiasmada, a cantora Tulipa Ruiz, que se apresenta dia 19, no espaço Mog, em Campinas.

Tulipa faz parte dessas revelações que vêm conquistando um público diversificado pelas experimentações sonoras, letras poéticas e imagéticas embutidas em todas as canções do seu primeiro álbum batizado de “Efêmera” em maio do ano passado.

Embora tenha aumentado o número de fãs e pedidos de show em várias cidades, o curioso é que nem ela entende o motivo pelo qual as pessoas gostam do seu som. “Eu nem sei direito. É uma pergunta difícil. Acho que é pela sonoridade do disco. Não sei responder”, contou.

Apesar de ignorar essa química, Tulipa comenta que não passa um dia sem ir no correio para enviar seu CD e diz adorar esse rotina. “Eu não tenho distribuidora e todo dia recebo pelo meu e-mail um pedido do meu CD. Já mandei encomenda para pessoas de todo os lugares. Outro dia mandei para Rio Branco, mandei para Sergipe, para Belo Horizonte. Isso tudo é muito louco e divertido”, conta.

Ser produtora, distribuidora, cantora, compositora foi encarado por ela como uma espécie de faculdade. “A música para mim era um hobby, uma diversão. Eu participava com o Tatá (Aeroplano) em alguns projetos, mas era por prazer. Depois resolvi abandonar o jornalismo e viver da música, ai percebi que a brincadeira ficou muito série e chata”, disse.

Tulipa pediu conselhos para músicos mais experiência e passou a encarar esse processos como uma nova universidade. “Aos poucos fui entendo a engrenagem toda, amadureci e faço shows, pago meu aluguel, componho e vendo meus CDs”, expica.

Criar é uma rotina para a cantora, que também alimenta desde criança um talento para o desenho. A maioria das suas canções ganharam animações e são projetados durante a apresentação. “A Ordem das Árvores”, que conta com versos como “As ordem dos galhos/Não alteram os passarinhos”, mostram um pouco do colorido musical da artista.

“Sempre fui ligada em capa de discos e carrego comigo essa piração de pensar em imagem para a música. Quando eu ouvi pela primeira vez o nome da banda ‘A Cor do Som’, aquilo era a frase mais maravilhosa para mim”, comentou

 

Cerebrais, apocalípticos e tropicalista!

Postado em Uncategorized em fevereiro 7, 2011 por paulocorrea

O som irreverente, poético e neotropicalista do Cérebro Eletrônico abraçou na noite de sábado (5/2) o espaço Mog, em Campinas, com o repertório repleto de referência à cultura pop. O vocalista Tatá Aeroplano fez um show quente, com todas as novas canções do álbum “Deus e o Diabo no Liquidificador”, que não se diferem conceitualmente do bem sucedido “Pareço Moderno”.

“Embora (o novo disco) seja bem mais roqueiro, mantivemos a mesma essência, a mesma ferve do disco anterior. Na realidade a gente considera esse terceiro disco uma extensão do segundo. Só conseguimos isso porque mantivemos a mesma equipe”, comentou o músico, que hoje é uma referência da música indie paulistana. Manter essa essência significa sublinhar a identidade do Cérebro Eletrônico forjada dentro das matizes sonoras do movimento tropicalista. “Sempre estivemos ligados nos Mutantes e nos arranjos que o maestro (Rogério) Duprat para os discos do Gil e do Caetano”, frisou. O próprio nome da banda advém da canção homônima do tropicalista Gilberto Gil composta 1969, no auge do tropicalismo.

Mas ao contrário da geração tropicalista, Tatá, Fernando Maranho (guitarra e voz), Gustavo Souza (bateria e vocais), Fernando TRZ (teclado e vocais) e Renato Cortez (baixo e vocais) procuram se envolver em outros projetos. “Todos tocam em outras bandas e têm projetos paralelos. Essa infidelidade é saudável porque ajuda a gente a enriquecer em sonoridades, ajuda na criatividade e não nos sufoca”, reflete.

Uma outra faceta da geração da bandas indies que pipocam na Internet e ganham vazão no circuito independente é verticalização da produção. Assim como acontece com o Cérebro, que está em seu terceiro disco, os músicos são responsáveis para composição, gravação, distribuição, numeração, enfim, de toda cadeia produtiva que envolve a banda. “Somos artistas e produtores ao mesmo tempo. Acho que isso não tem um nome ainda, mas funcionou com a gente e tem funcionado com outros grupos também”, afirmou.

O terceiro álbum do grupo nasceu de uma letra no qual Tatá colocava Deus e diabo dentro do liquidificador. “Era uma composição antiga. A partir daí o pessoal começou a criar algumas coisas brincando nesse sentido. O disco acabou se tornando temático”, comentou o vocalista. “Deus e o Diabo no Liquidificador” é uma óbvia referência ao filme do diretor Glauber Rocha “Deus e o Diabo na Terra do Sol”. As referências à cultura pop estão presente em todas composições do grupo, que citam desde o cineasta Lars Von Trier a marca Black&Decker

Laura

Postado em Uncategorized em fevereiro 3, 2011 por paulocorrea

Laura parou na rua escura, deu o sinal e o menino veio. Abriu a porta do Corsa azul e mostrou os dez cruzados. Ele apanhou a grana e ela puxou seu short surrado para baixo e começou a masturbá-lo. Chovia, ninguém na rua escura. Sexo oral. Inesperadamente o garoto sofreu um ataque epilético. Laura ficou imóvel, depois da crise, apanhou o crânio do menino e socou violentamente contra o volante do carro. Doze vezes, enfurecidamente. Empurrou o cadáver para fora e foi para academia malhar. (Conto da meia-noite)

Emicida dá vida ao rap nacional

Postado em Uncategorized em janeiro 22, 2011 por paulocorrea

Se engana quem acredita que o título do futuro primeiro álbum do rapper paulistano Emicida, é uma metáfora. “Pra Quem Já Mordeu um Cachorro por Comida, Até que eu Cheguei Longe” é uma frase autobiografica que expressa um momento de desespero.

“Eu tava na miséria e de repente vi meu cachorro comendo o único pedaço de pão seco que tinha em casa. Nem sei o que aconteceu, só lembro que eu mordi ele. Depois que eu me dei conta do que eu fiz pela comida”, conta Emicida.

Hoje, Emicida é um dos rappers de maior projeção nacional e acredita que seu público não está estacionado apenas na esfera do fãs do Hip Hop. “É uma burrice acreditar que eu só faço músicas para os pretos, o meu som é híbrido, eu faço música para todo o mundo ouvir”, ressalta.

Com melodias sofisticadas e letras que caminham por uma poética incomum no rap, Emicida oxigenou o gênero que até então seguia o modelo copiado do grupo Racionais, com uma ou outra variação. Emicida, ao contrário da maioria, não retalia o seu tom lírico como mostra na letra da canção “A Cada Vento”, na qual ele canta “Hoje de manhã/ atravesando o mar/ vou me perder/ vou me encontrar/ a cada vento que sobrar”.

Emicida, que nasceu Leandro Roque de Oliveira, mantém uma postura diferenciada até mesmo na sua relação com a mídia. “Eu gosto de usar todos os canais da mídia para falar com quem não concorda comigo. Na época do boom dos Racionais eles não tinha uma postura mais arredia, e não encontrei nenhum argumento plausível para agir dessa maneira

”, argumentou.

Emicida flerta com vários modelos de produção cultural e se fascinou com o jornalismo após sua participação no programa Manos e Minas, da TV Cultura. “O jornalismo tem um poder muito grande. A imprensa tem a possibilidade de educar o povo. Acho que tanto no jornalismo como na música eu procuro mandar essa mensagem”, contou.

DOMÍNIO DA ARTE

Improvisador de mão cheia, Leandro abandonou o nome de batistmo e adotou o apelido após criar fama de imbatível nas competições de rima em São Paulo. Os adversários diziam que ele era um assassino das rimas Posteriormente ele criou a insígnia

E.M.I.C.I.D.A., que significa Enquanto Minha Imaginação Compor Insanidade Domino a Arte.

Quem quiser conhecer ouvir a nova cara do rap nacional basta acessar o endereço www.myspace.com/emicidabasta . Todo material produzido pelo rapper ainda será lançado num CD que deve pintar ainda nesse primeiro semestre.

Redes sociais não é sinônimo de jornalismo

Postado em Uncategorized em janeiro 18, 2011 por paulocorrea

Comparar a produção de conteúdo da rede social que ocorreu no episódio do Shopping Pátio Limeira como substância jornalística acabada é um delírio academicista de quem ainda não compreende a dimensão dessa ferramenta ou se transvestiu de charlatanismo filosófico.

O jornalismo na internet apura em moto-contínuo e dá resposta à queima roupa ao acontecimento de interesse público. Ponto. Não está situado na zona de conforto da TV ou do jornal impresso que irão noticiar o episódio, no caso de Limeira, 24h depois do acontecimento.

O conteúdo publicado na rede social é um ponto de partida do jornalismo (coleta de dados, apuração). A agiliade e profusão com que correm esses dados na esfera virtual só demonstra a ávidez das pessoas por informações.

É uma ilação perversa alegar que os produtores virtuais de informação não zelam pela precisão dos fatos e fazem chutes. Todos que participam de uma coleta de dados como essa fazem um esforço coletivo (organizado ou não) para construir um cenário próximo ao real. Isso se chama jornalismo cidadão.

Foi ele quem se destacou na cobertura do desabamento do teto do Shopping Pátio de Limeira, pois foi um catalisador de fatos, percepções e opiniões sobre o acontecimento em desenvolvimento. A mídia formal foi letárgica, não integrou suas plataformas de comunicação, talvez por ignorar como fazê-lo, não tê-las ou por não valorizar os canais de comunicação da internet.

Todo conjunto de dados reunidos na web no caso do shopping seria um ponto de partida para construção da notícia do desabamento, que se esperava, ser melhor apurada, redigida e contextualizada  pelos veículos de comunicação.

Jornalistas ‘dogmáticos’ ignoram o conceito e o fazer do jornalismo colaborativo. Preferem embutir conceitos sofistas sobre teorias da comunicação para deslegitimar um movimento rico via facebook, twitter, orkut, blogs, sites, msn que replicava em tempo real, na internet, o episódio trágico do shoppping.

É evidente que alguma imprecisão pode ocorrer, na inexistência de dados oficiais, é necessário a recorrer a fontes secundárias, algo legítimo no jornalismo, enquanto não há confirmação de órgãos oficiais sobre vítimas. Isso é uma óbviedade trivial, mas que é condenada por puristas de ocasião.

No livro-reportagem “O Vulto das Torres”, o jornalista norte-americano, Lawrence Wright, lembra que a mídia emitiu pareceres esdrúxulos sobre o que se passava no WTC. A partir do segundo impacto na outra torre, é que os jornalistas que cobriam ao vivo o episódio compreenderam que se tratava de um ataque terrorista. O atentado foi coberto ao vivo. Quem não lembra das imprecisões? O mesmo aconteceu com o resgate dos mineiros chilenos (…)
Não se trata de tolerar informações equivocadas, se trata de estabelecer o que é jornalismo on line, jornalismo colaborativo e a tranquilidade de narrar tudo o que aconteceu passado 800 mil anos depois do episódio e criticar o esforço da construção dos fatos durante os acontecimentos. Aí, até eu pago de mago da comunicação. Sem cometer “barriga” nenhuma. É cômodo fazer o que houve aqui. Os jornais esperam amanhecer o dia para informar os seus leitores. A mídia velha ainda sublinha suas velhas manias esquizofrênicas.

Cobrar precisão na descrição de um episódio, mesmo que aparentemente ele esteja encerrado, é cometer falsidade ideológica.

 

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